Probabilidade
Probabilidade simples e condicional
probabilidade simples; regra do ou; regra do e
Probabilidade mede a chance de um acontecimento ocorrer. Em problemas de vestibular, a dificuldade nem sempre está na fórmula isolada. Muitas vezes, a parte mais importante é decidir qual conta representa o enunciado.
Nesta aula, a ideia é reconhecer três situações que aparecem com frequência: quando contamos casos favoráveis entre casos possíveis, quando o enunciado pede uma possibilidade ou outra, e quando o enunciado exige uma coisa e depois outra. A palavra “chance” pode aparecer em forma de fração, decimal ou porcentagem:
Quando a resposta estiver em porcentagem, multiplicamos o decimal por 100. Quando estiver em fração, simplificamos sempre que possível.
Probabilidade simples
Explicação conceitual
Um experimento aleatório é uma situação em que sabemos quais resultados podem aparecer, mas não sabemos qual deles vai acontecer antes de realizar o experimento. Sortear um bilhete, lançar um dado e retirar uma bola de uma caixa são exemplos desse tipo de situação.
O conjunto com todos os resultados possíveis recebe o nome de espaço amostral. Um evento é uma parte desse conjunto. Se todos os resultados têm a mesma chance, a probabilidade de um evento é calculada comparando os casos favoráveis com os casos possíveis:
Fórmula
O numerador conta os resultados que atendem ao enunciado. O denominador conta todos os resultados possíveis do sorteio ou experimento.
Exemplo resolvido: durante o sorteio de uma rifa, há 40 bilhetes numerados de 1 a 40. Um bilhete será sorteado. Qual é a probabilidade de sair um múltiplo de 5?
O espaço amostral tem 40 resultados possíveis, pois qualquer bilhete de 1 a 40 pode ser sorteado. Agora contamos os múltiplos de 5:
Há 8 bilhetes favoráveis. Logo:
Simplificando:
Portanto, a probabilidade é:
Atividade 1
Na mesma rifa, com bilhetes numerados de 1 a 40, calcule:
a) a probabilidade de sair um número par;
b) a probabilidade de sair um número maior que 30;
c) a probabilidade de sair o número 41.
Ver resolução
a) Entre 1 e 40, metade dos números é par. São 20 números pares em 40 possíveis:
b) Os números maiores que 30 são:
São 10 números em 40 possíveis:
c) O número 41 não está na rifa, pois os bilhetes vão de 1 a 40. O número de casos favoráveis é zero:
Atividade 2
Dois dados comuns são jogados simultaneamente. Qual é a probabilidade de obter soma igual a 10 nas faces de cima?
Ver resolução
Em dois dados, cada dado tem 6 possibilidades. Como os dados são lançados simultaneamente, podemos representar o resultado como um par ordenado:
O total de resultados possíveis é:
Agora contamos os pares cuja soma é 10:
Há 3 casos favoráveis. Então:
Um erro comum é considerar apenas as somas de 2 a 12. Essas somas não têm a mesma chance. A soma 7 aparece em mais pares do que a soma 2, por exemplo. Por isso, a conta correta usa os 36 pares possíveis.
Regra do “ou”
Explicação conceitual
A palavra “ou” costuma indicar união de eventos. O evento ocorre quando aparece uma possibilidade, a outra possibilidade ou as duas ao mesmo tempo.
O cuidado está na repetição. Quando um resultado aparece nas duas listas, ele foi contado duas vezes. Por isso, precisa ser subtraído uma vez. Para dois eventos e :
Fórmula
Cada parte da fórmula tem uma função: é a chance do primeiro evento, é a chance do segundo evento e é a chance da parte repetida.
Se os eventos não têm resultados em comum, então:
Fórmula
Exemplo resolvido: um dado comum, com faces numeradas de 1 a 6, será lançado uma vez. Qual é a probabilidade de sair um número par ou maior que 4?
O espaço amostral do lançamento do dado é:
Defina os eventos:
Os números pares são:
Logo:
Os números maiores que 4 são:
Logo:
A repetição é o número 6, que é par e maior que 4:
Assim:
Aplicando a regra do “ou”:
Portanto:
Atividade 3
ainda no lançamento de um dado comum, calcule:
a) a probabilidade de sair número ímpar ou maior que 4;
b) a probabilidade de sair número primo ou número par.
Ver resolução
a) Números ímpares no dado:
Números maiores que 4:
A repetição entre “ímpar” e “maior que 4” é:
Logo:
b) Números primos no dado:
Números pares:
A repetição entre “primo” e “par” é:
Logo:
Atividade 4
Em uma população, a probabilidade de uma pessoa ser muda é , a probabilidade de ser cega é , e a probabilidade de ser muda e cega é . Qual é a probabilidade de uma pessoa escolhida ao acaso ser muda ou cega?
Ver resolução
Defina os eventos:
O enunciado pede:
Foram dadas três probabilidades:
Como uma pessoa pode ser muda e cega ao mesmo tempo, existe sobreposição. Por isso, subtraímos a interseção:
Substituindo:
Regra do “e”
Explicação conceitual
A palavra “e” indica que duas condições precisam acontecer juntas. Em probabilidade, essa ideia costuma levar à multiplicação.
Se os eventos são independentes, o resultado de um não muda a chance do outro. Lançar uma moeda e lançar um dado são eventos independentes: a moeda não altera as faces do dado.
Se e são independentes:
Fórmula
Essa fórmula vale quando a ocorrência de não altera a probabilidade de .
Exemplo resolvido: uma pessoa lança uma moeda comum e um dado comum. Ela ganha se sair coroa na moeda e número par no dado. Qual é a probabilidade de ganhar?
A chance de sair coroa na moeda é:
No dado, os números pares são:
Há 3 números pares entre 6 faces possíveis:
Como o lançamento da moeda não muda o lançamento do dado, os eventos são independentes. Portanto:
Em porcentagem:
Resposta:
Atividade 5
Uma moeda comum e um dado comum são lançados. Calcule:
a) a probabilidade de sair cara e número múltiplo de 3;
b) a probabilidade de sair coroa e número maior que 4;
c) a probabilidade de sair cara e número menor que 7.
Ver resolução
a) A probabilidade de sair cara é . Os múltiplos de 3 no dado são 3 e 6:
Multiplicando:
b) A probabilidade de sair coroa é . Os números maiores que 4 são 5 e 6:
Multiplicando:
c) A probabilidade de sair cara é . Todo número do dado comum é menor que 7, pois as faces são 1, 2, 3, 4, 5 e 6:
Multiplicando:
Atividade 6
Dois atiradores, André e Bruno, disparam simultaneamente sobre um alvo. A probabilidade de André acertar é , e a probabilidade de Bruno acertar é . Se os eventos são independentes, qual é a probabilidade de o alvo não ser atingido?
Ver resolução
Para o alvo não ser atingido, André precisa errar e Bruno precisa errar.
A probabilidade de André errar é:
A probabilidade de Bruno errar é:
Como os eventos são independentes, multiplicamos:
Convertendo para porcentagem:
Eventos sucessivos sem reposição
Explicação conceitual
Em retiradas sem reposição, a segunda probabilidade depende do que aconteceu na primeira retirada. Isso ocorre porque o objeto retirado não volta para a caixa, urna ou gaveta.
A conta continua usando multiplicação quando o enunciado exige uma sequência com “e”. A diferença é que a segunda fração precisa ser atualizada.
Para uma sequência sem reposição:
Fórmula
A segunda fração deve usar a nova situação após a primeira retirada.
Exemplo resolvido: em uma caixa de brindes, há 3 bolas azuis e 2 bolas vermelhas. Retiram-se duas bolas, uma depois da outra, sem reposição. Qual é a probabilidade de sair azul na primeira e vermelha na segunda?
No início, há 5 bolas:
A probabilidade de sair azul na primeira retirada é:
Depois que uma azul saiu, restam 4 bolas. Como saiu uma azul, continuam existindo 2 bolas vermelhas:
O enunciado pede azul na primeira e vermelha na segunda. Multiplicamos:
Resposta:
Atividade 7
Na mesma caixa, com 3 bolas azuis e 2 bolas vermelhas, retiram-se duas bolas sem reposição. Calcule:
a) a probabilidade de sair vermelha na primeira e azul na segunda;
b) a probabilidade de sair duas azuis;
c) a probabilidade de sair duas vermelhas.
Ver resolução
a) Para sair vermelha na primeira:
Depois que uma vermelha saiu, restam 4 bolas, sendo 3 azuis:
Logo:
b) Para sair duas azuis:
c) Para sair duas vermelhas:
Quando a ordem pode variar
Explicação conceitual
Alguns problemas sucessivos permitem mais de uma ordem. Quando o enunciado pede “cores diferentes”, por exemplo, há duas possibilidades: branca depois cinza, ou cinza depois branca.
Dentro de cada ordem usamos a regra do “e”, porque a primeira e a segunda retirada precisam acontecer. Depois somamos as ordens, porque uma ordem ou a outra resolve o problema.
Exemplo resolvido: na caixa com 3 bolas azuis e 2 vermelhas, retiram-se duas bolas sem reposição. Qual é a probabilidade de saírem bolas de cores diferentes?
Cores diferentes podem ocorrer em duas ordens:
Primeira ordem: azul e depois vermelha.
Segunda ordem: vermelha e depois azul.
Agora juntamos as duas ordens:
Resposta:
Atividade 8
Em uma caixa há 4 bolas brancas e 3 bolas pretas. Retiram-se duas bolas sem reposição. Qual é a probabilidade de as duas bolas terem cores diferentes?
Ver resolução
Há duas ordens possíveis. Primeira ordem: branca depois preta.
Segunda ordem: preta depois branca.
Somando as duas ordens:
Atividade 9
Em uma gaveta, há 12 meias brancas e 8 meias cinzas. Retiram-se duas meias, sem reposição. Qual é a probabilidade de as duas meias retiradas serem de cores diferentes?
Ver resolução
No início, há:
O enunciado pede cores diferentes. Isso pode acontecer de duas formas:
Primeira ordem: branca na primeira retirada e cinza na segunda.
Segunda ordem: cinza na primeira retirada e branca na segunda.
Somando as duas ordens:
Simplificando por 4:
Dicas para vestibular
Cuidado comum
Antes de calcular, leia o enunciado procurando a estrutura da pergunta. Se o problema pede a chance de um único tipo de resultado, conte casos favoráveis e casos possíveis. Se aparece “ou”, pense em união: some as chances e retire a repetição quando houver. Se aparece “e”, pense em multiplicação. Se a situação é sem reposição, atualize a segunda fração. Se a ordem pode variar, calcule cada ordem separadamente e some no final.
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